Oficinas de Curta Duração para Divulgação de Ciência e Tecnologia

Na última sexta-feira, a Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) abriu novamente seus laboratórios para receber aproximadamente 110 alunos de 13 a 15 anos, de escolas municipais de Campinas, para as oficinas “Da Eletrônica à Computação: Não é Mágica, É Ciência!”, em mais uma edição do Ciência e Arte nas Férias de Inverno, ou CAFIn.

Oficina de Eletrônica

Os alunos participaram de duas atividades, cada uma com duração aproximada de 90 minutos.

meninosCafin

Na oficina de eletrônica, alunos de graduação e pós-graduação dos cursos de Eng. Elétrica e de Computação,  apresentam aos estudantes resistores, capacitores, motores, LEDs e outros componentes eletrônicos simples, que talvez muitos já tenham ouvido falar mas talvez poucos tenham tido a oportunidade de entender um pouco melhor para que servem e onde eles são encontrados em nosso dia a dia. Feitas as apresentações, é hora de colocar a mão na massa!

A utilização de um kit didático de eletrônica permite que os alunos rapidamente montem circuitos simples e tenham a oportunidade de testemunhar que não há nada de mágico nos dispositivos eletrônicos que nos cercam e, assim como os instrumentos de uma orquestra, componentes básicos, quando bem conduzidos por um maestro, são capazes de executar belíssimas sinfonias.

Oficina de Computação

genio meninascafinA oficina de computação apresenta aos alunos a plataforma MIT App Inventor. Nesta atividade os alunos desenvolvem seu primeiro aplicativo para celular, incluindo sua instalação em seus próprios celulares. A partir de uma plataforma de programação visual inspirada no Scratch, os alunos são conduzidos, passo a passo, ao entendimento e desenvolvimento de um algoritmo capaz de “prever o futuro”. Novamente, eles acabam descobrindo que o aplicativo não é mágico e que sua capacidade de prever o futuro nada mais é que um programa de computador que sorteia aleatoriamente uma resposta dentre várias possíveis, programadas por eles mesmos.

Para finalizar a oficina em grande estilo, os alunos participam de um momento “Domingão do Faustão”. Nesse momento, clickers de votação remota são distribuídos aos alunos e eles opinam, de maneira anônima, sobre a organização da oficina, as orientações dadas e seus sentimentos ao término da mesma.

Oficinas de Curta Duração

Oficinas de curta duração como essas obviamente não têm o propósito de “capacitar” seus participantes nas áreas de eletrônica ou computação.

Seus objetivos incluem:

  • desconstruir o (pré)conceito que as áreas técnicas de engenharia são áreas do conhecimento que exigem um certo grau de genialidade já que, em aproximadamente 3 horas, os alunos saem com a satisfação de terem programado um aplicativo para celular e terem montado, com as próprias mãos, circuitos eletrônicos, compreendendo seus princípios básicos de funcionamento;
  • derrubar estereótipos tais como a ideia que as engenharias são redutos masculinos ou de “nerds”: antes de cada oficina, monitores, instrutores e instrutoras se apresentam, compartilhando informações que os conectam com a garotada, tornando-os fontes inspiração e exemplo.
  • despertar a curiosidade e o desejo de “saber mais” em garotos e garotas que se sintam atraídos de maneira especial por essas áreas. Para alavancar ainda mais essa curiosidade, estamos trabalhando na construção de um portal com informações que os ajudem a continuar explorando…

Mas é importante destacar também o benefício da participação nessas atividades para alunos de graduação e pós-graduação. Além de se envolverem intensamente com o processo de criação, planejamento e configuração de infra-estrutura das oficinas, eles são encorajados a se revezarem no papel de instrutores. É sempre com grande prazer que vemos desabrochar personalidades incríveis que, de maneira muito descontraída, conseguem entreter, fascinar e inspirar adolescentes cheios de energia. Vários deles relatam a satisfação de estarem compartilhando com o resto da sociedade parte do conhecimento que eles adquirem na Universidade.

Após cada oficina, os corpos estão exaustos e as vozes estão roucas, mas os sorrisos ainda estão estampados nos rostos de todos que participam.

 

Paula D. Paro Costa

Cientista desde o nascimento, Engenheira e Professora da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação, na Unicamp. Atua nas áreas de processamento digital de imagens, aprendizado de máquina, ciência dos dados e computação afetiva. Nas horas vagas, trabalha para que crianças e jovens tenham contato com as áreas de ciências, engenharia e tecnologia.

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